damn, i kinda don't care anymore

depois de muito tempo eu tomei coragem para escrever novamente. até mesmo o diário que tenho estava esquecido no canto, porque eu não queria escrever. eu até tinha as palavras, tinha o que dizer, mas não queria. sentia que os assuntos estavam repetidos, que eu falo da mesma coisa sempre, com palavras diferentes, mas ainda assim as mesmas coisas.
eu comecei a faculdade final de fevereiro, e nem acredito que já estamos no final de março. sinto que mudei totalmente só nesse meio tempo. como se tivesse vivido uma vida inteira. tentando me acostumar com o fato de que eu voltei para o mundo social, a estar em ambiente que têm pessoas. eu poderia falar cada detalhe, mas eu posterguei tanto que... contar tudo desde final de fevereiro até agora já me cansa. é legal, mas às vezes não é. toda vez eu volto pra casa me sentindo longe de mim mesmo. como se eu fosse outra pessoa durante aquele tempo, e quando estou em casa, tenho que tirar aquela máscara. aquela roupagem. e demora horas pra eu voltar a sentir alguma "normalidade", sentir "eu de novo", e ai quando volta, já é perto de começar tudo de novo.
dizer que me sinto deslocada seria um eufemismo, porque eu sinto que a verdade mesmo é que eu não gosto de estar entre pessoas, nem em lugares, nem participando de algo. e é interessante que as pessoas não entendem isso! acho que é por isso que não vou fazer terapia. eu gastei mais de oitocentos reais esse mês por conta de impulsividade — o que hoje eu sei estar ligado ao TDAH — e eu fiquei analisando, enquanto fazia as contas, o tamanho da minha irresponsabilidade. com esse dinheiro eu poderia ter pagado umas dez sessões de terapia. mas ao mesmo tempo eu fico pensando se eu não teria gastado em outra coisa também. se tudo que gastei foi inútil, porque tecnicamente metade dessas compras foi comido, outras que eu realmente estou usando. ainda fico me perguntando se devo ou não fazer essa bentida terapia. meu laudo diz que preciso urgentemente estar começando, mas por deus é tanta coisa... eu realmente queria desistir de tudo isso! ser gente, ser humano, requer tanta manutenção.
tive algumas crises internas também nesse primeiro mês. voltei a ter encrenca com a minha própria imagem, meu cabelo, minhas roupas. e eu não estava mais incomodado com elas. mas simplesmente voltou. eu preciso ser verdadeira novamente, EU NÃO GOSTO DE ME ARRUMAR. eu não gosto do conceito que temos, em sociedade, do que seria se arrumar. as pessoas não aceitam verdadeiramente um cabelo cacheado/crespo. esses cabelos tem frizz. eu não vou me matar por horas para finalizar um cabelo, sendo que eu só preciso lavar ele, passar creme e pentear. a sociedade nos convenceu de que a onda agora é cabelo cacheado, mas isso é mentira. é apenas um cacheado com controle. e isso não é cacheado de verdade. eu gosto de usar minhas roupas misturadas. eu não tenho um estilo definido, ele apenas se forma/molda de acordo com o meu humor. porque viver e estar em sociedade requer TANTA MANUTENÇÃO?
eu tive uma crise com sensibilidade também. até o cordão de identificação que estava usando eu não conseguia colocar no meu pescoço porque a sensação estava me matando. a sensação das roupas tava me deixando à beira de um colapso. nem dormir eu conseguia porque toda hora eu tinha consciência da sensação das minhas roupas.
eu sempre penso, eu vivo pra pensar. e uma das coisas que estava refletindo comigo mesmo, é que eu não quero que esse sistema que vivemos tire mais de mim do que costumamente já tira no dia a dia. de ter que ficar negando a mim mesmo e a quem eu sou, a quem verdadeiramente sou, para ter que caber em uma caixa.
a bem da verdade, é que eu não tenho tido vontade e nem prazer pra nada. nem mesmo os "hobbies" que estava tendo me chama mais atenção. meu computador passou um mês desligado porque não tinha mais vontade nenhuma de mexer na web, ler os blogs e escrever. normalmente, quando não tenho mais vontade de exercer minha criatividade, escrever pelo menos é a única coisa que resta. mas dessa vez, nem isso restou também. tanto que estou enferrujada. mas pelo menos é alguma coisa, não é? eu não sou uma pessoa otimista, nem do tipo de ficar vendo coisas positivas, ou desejar coisas positivas etc. eu realmente cheguei na conclusão comigo mesma é que na verdade eu não quero. por que sempre temos que ficar procurando algo? procurando gostar de algo? sempre procurando estar presente e dentro de tudo. e cara, eu não quero. desculpa, mas eu não quero.
eu só cansei de tudo mesmo. eu não quero mais ser obrigada a procurar por coisas positivas, ou procurar estar presente em tudo. eu já fui assim por obrigação, me forcei a ser assim, e sinceramente nunca ganhei nada bom disso. apenas desgaste.
caramba, eu só não me importo mais... com nada.
