oi, augustus

don't monetize nothing you care about

estava na internet lendo algumas coisas aqui e ali e também tentando entender melhor o bearblog e tive alguns pensamentos enquanto isso.

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eu já tenho dois blogs além desse que criei. eu tenho meus motivos para ter esse tanto de blog, às vezes o que eu quero fazer em um não quero fazer em outro, e também o grande motivo é por puro divertimento. faço isso para passar o tempo. para brincar. que nem nos tempos do início da minha adolescência em que a internet servia para ser desbravada e divertida. então é por isso que tenho feito isso.

o que basicamente estava pensando é sobre como grande parte do motivo das coisas estarem do jeito que estão, essa fatiga de redes sociais e o desespero de várias pessoas em encontrar alternativas diferentes mas que ainda possa ser lugares em que possam interagir com outras pessoas sem abrir mão de se expressar, é porque monetizou-se as coisas que fazia-se por prazer.

se alguém escrevia um blog, ganhava muito acesso, tinha a ideia de fazer daquilo uma fonte de dinheiro. se alguém tinha algum hobby como crochê, teve a ideia de vender para ganhar grana. se alguém desenhava, começou a vender sua arte digitalmente. e aí, com tudo isso, perdeu-se o gosto de fazer o que até então era uma paixão. e aí surgiu o influenciador 24/7, os anúncios incessantes, tudo virou um grande show de estoque. uma monetização dos próprios sonhos, como costumo dizer.

vi uma frase uma vez que quando você monetiza um hobby você perde a paixão pelo ato de criar. e isso, para mim, não poderia ser mais verdade. não há nada de errado em você querer ganhar dinheiro a partir de algo que você goste. a crítica em questão aqui não é isso, mas sim como, principalmente nessa era de digital influencer (não querendo cair em saudosismo), o consumismo avançou em disparada. tudo é sobre consumir, não criar. e para que o consumismo fique exacerbado do jeito que está é necessário que as coisas que sejam criadas não durem muito, porque precisam ser substítuidas rapidamente.

é por isso que faço esse paralelo com o hábito e a presença na internet. redes sociais é que nem fast food, alimenta sua dopamina rapidamente, um constante fluxo de recompensa rápida. tudo é na velocidade 2x, curto e direto. vibrante ao mesmo tempo em que é tão pobre de conteúdo.

a contra cultura do momento é então se refugiar no "antes". nostalgia realmente é uma droga poderosa. e isso tem feito as pessoas correrem para o analógico, a tecnologia 2000's. eu me encaixo nisso — mesmo que parte de mim também deteste saudosismo e em cair nessa espiral de que o "antes" era melhor. mas acho que deu para entender onde quero chegar.

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e para ser sincero, eu gosto de ter um blog apenas por gostar mesmo. gosto de escrever (não sou nenhum expert, eu escrevo por escrever mesmo) e não quero me cobrar para ser perfeito nisso. a coisa que mais gosto quando entro em outros blogs não é somente a arte e o design que torna aquele canto algo pertencente a seu criador, mas também o que as pessoas têm a dizer. o que elas têm a compartilhar e passar para frente. eu amo a política implícita no mundo dos blogs (principalmente os websites feitos do zero como neocities etc) é que ninguém "gatekeep" informações. sempre tem uma aba ou um post exclusivo sobre "resources" para que outras pessoas possam ter acesso a vários tipos de coisas. desde algo tão comum como stamps, blinkies como artigos, wikis, informações, webrings, fanlistings, códigos, formas de navegar na internet etc. eu mesma tenho uma aba, que vai estar em crescente construção, chamada "links" em que sempre estou colocando algo que acho interessante ou importante ou que considero que precise ser compartilhado. eu faço isso em todos os meus blogs. e esse não podia ser diferente.

eu sinto falta de coisas que são feitas para durar. não de coisas para serem monetizadas apenas e servir como comida de fast food digital. gosto de coisas que duram. gosto da ideia de coisas que estão aqui para permanecer (eu gosto de estabilidade). acho que por isso que me interessei tanto pelo bearblog, principalmente depois de ter lido o post do Herman (criador do Bearblog) Building software to last forever e The Bear Manifesto.

tem uma parte em The Bear Manifesto que me chamou atenção e que me fez a ideia de escrever isso aqui que foi:

The promises
Bear won't shut down. Period. I've seen too many great platforms disappear overnight, leaving their communities scrambling. This is made worse when the platform is your personal garden and online neighbourhood. That won't happen here. Bear is built to last.

Bear won't sell. I'm not building this to flip it to the highest bidder. No VC funding, no external pressures, no "exit strategy." Bear is independent and will stay that way.

Bear won't show ads. Your blog is your space. No flashy banners will suddenly appear one day, and no sponsored content. Just your words, your way.

então pode dizer que já me ganhou daí. eu uso blogger e wordpress, e apesar de gostar de usá-los, eu conheço as limitações que eles possuem, principalmente por causa de tudo isso que já citei, e que inclusive é citado nesses artigos em questão.

o que me inspirou na escrita desse post também foi algo que eu li enquanto visitava alguns neocities, e parei em um, o lydels. em um post na seção "blog", tem um chamado read and write more blogs NOW, a parte em específico foi:

PLEASE WRITE i want to learn about something you really like, i wanna know your thoughts on that game you played, i want to know the lore of your OC, why you made that piece of art, or why you ship those two characters who were only seen together once Lol. it can be anything. i just feel like we could be having really awesome conversations and we could be learning more about a ton of different things and people. we could take this distance we have from social media a little further, i think.

e novamente, isso me leva a concluir sobre o que eu estava dizendo sobre fazer as coisas apenas pelo simples ato e paixão e vontade por fazê-las, e não já com um olho gordo do que você pode tirar disso. temo que tenhamos chegado em uma fase crítica do capitalismo em que não conseguimos ver mais nada além do que podemos tirar monetariamente de algo. monetizamos nossas paixões, sonhos e nossas relações. eu vejo nos blogs uma forma de conseguir restaurar o que se perdeu. e é difícil até, viver numa sociedade que incentiva MUITO o uso constante de celular, redes sociais, ainda fica aquele resquício comportamental de até trazer isso para os websites — mesmo que, novamente, não seja a intenção. mas desaprender um comportamento em que você é exposto todos os dias é difícil.

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