hell is other people

com fevereiro se arrastando para seu fim, eu criei coragem hoje de finalmente escrever. algo que eu não estava conseguindo fazer de forma mais frequente. mesmo que eu não escreva em algum canto dessa internet, eu o faço no meu diário. mas nem no meu diário eu tenho escrito mais. penso em abri-lo e escrever, mas nem isso eu tenho conseguido. parece tão simples, mas para mim tem sido um bloqueio enorme.
também não sei como discorrer esse texto, acho que só esperando algo de mim deixar as palavras se soltarem como elas quiserem, então não é algo elaborado. tenho tido muitas opiniões e reflexões ultimamente, sobre o estado do mundo e das coisas. e acaba que quando penso que estou finalmente entendendo algo, aparece outra coisa para me mostrar que eu não entendi nada, e provavelmente nunca irei realmente. mas algo que eu tenho certeza é que todos nós somos massa de manobra, bode expiatório e algo a ser descartado facilmente. e também tenho certeza de que somos alimentados com propagando até o tutano, e mesmo quando pensamos que estamos livres de qualquer influência é aí que você percebe que você não está livre de influência coisa nenhuma, e é tão provável de se render às propagandas como qualquer outro. você não é especial, uma voz diz em algum canto da minha cabeça, se sobrepondo entre outras vozes mais barulhentas.
eu tinha escrito, em algum dia dessa semana, sobre algumas coisas que não me permito esquecer. a onda de coisas horríveis que tem acontecido, de muito tempo, mas principalmente do ano passado para cá. ainda mais sendo esse um ano de eleição, eu realmente não espero coisa boa vindo por aí. mas o que me assusta, é que chegou-se a um estado preocupante, na minha não tão humilde opinião, de pessoas que se sente à vontade para sair por aí cometendo todo tipo de loucura que possa se imaginar: racismo, misoginia, preconceito, elitismo etc, e tudo isso sem nenhum tipo de comedimento (não que ser comedido melhora algo nessa situação), é algo escancarado para todo mundo ver, disfarçado de "opinião", enquanto vidas são literalmente afetadas por causa dessas "opiniões". e no texto que escrevi, deixei claro de que as próprias pessoas reforçam todo tipo de opressão que sofremos por realmente acreditarem que são úteis para algo. por fielmente seguir isso, mesmo que, de certa forma, também afetem elas. como sabiamente apontei: o rato protegendo a ratoeira.
e realmente sinto que não há nada que possa ser feito, a não ser uma grande e poderosíssima revolução. e o fim da sensatez para esses tipos de pessoas. elas não merecem qualquer tipo de sensatez; eu diria até que a sensatez para esse contexto seria inadimissível.
saindo disso, eu estou com um dilema sobre voltar para a vida social, que será semana que vem depois de um ano de auto isolamento e agora com um laudo que pesa mais na minha consciência do que me trazer algum tipo de alívio.
eu tenho pensado comigo mesmo sobre o meu medo de não querer trair a mim mesmo para me encaixar em algo que não sou eu para ser aceita. já fiz isso, e MUITO na vida, nunca terminou bem. cheguei a conclusão de que pra você realmente, bem lá no fundo, se aceitar como é, é ter noção de que você vai viver e conviver com uma grande dose de ostracismo. do que adianta encaixar um círculo em um buraco de retângulo? apenas frustração e decepção.
não estou acostumada mais com pessoas, quando você se isola por muito tempo você se acostuma com isso. bem, como diria Sartre, o inferno são os outros.
como estive muito tempo nas redes sociais nesse mês e no que passou, eu ainda estou tentando me recuperar da frustração e do stress enorme de ver coisas horríveis e comentários horríveis sobre qualquer assunto que sejam sobre questões sociais. é assustador que a nossa sociedade seja misógina e nem esconda o seu ódio por mulheres ou qualquer pessoa queer. é algo tão óbvio para quem é, mas para quem não é, esse perigo, esse medo e preocupação não existe. e isso me deixa muito revoltada!
é como se pessoas como eu, que sou agênero, mas fui criada e socializada como uma menina, uma garota, uma "mulher", e depois de anos de vida, já na idade adulta, realmente me entender como gente no jogo do bicho e quem sou de verdade, fossem vistos como nada além de "subhumanos". é a conclusão que cheguei, que é bem óbvia, mas assustado de viver e ver de perto.
não guardo muitas esperanças, apenas que tenho que aceitar que o grande jogo da vida é assim, e que para sobreviver eu vou ter que jogar um pouco do jogo, mesmo que contra minha vontade, para me manter de pé (maior parte do tempo nem isso consigo).
queria ter coisas mais otimistas para escrever, mas infelizmente não é isso que tenho visto. mas digo que uma parte bem ingênua minha ainda espera pelo melhor, porque no final das contas, é a única coisa que podemos esperar.