twenty, twenty, twenty-four hours to go

dezesseis dias do ano novo já se foram. dentro de mim, milhares de coisas e nenhuma aconteceram. eu tive coragem de apagar coisas que precisavam ser apagadas, em outros momentos, só convivo com o vazio.
eu percebi, em mim, que não consigo ficar um momento em paz em algo que seja sóbrio ou saudável. se eu não usar algum remédio como refúgio, ou ficar vendo milhares de vídeos por horas a fio e no meu próprio mundo paralelo e evitar a vida real a todo custo — posso entrar em combustão emocional porque o mundo real é pesado demais para aguentar.
Twenty, twenty, twenty-four hours to go
I wanna be sedated
Nothing to do, nowhere to go, oh
I wanna be sedated.
eu recebi uma notícia que espero há três meses, apenas para perceber que agora que chegou já não me interessa mais. estou lutando contra decisões que podem afetar meu futuro, simplesmente porque a vontade não está presente. me apeguei a um mínimo de nostalgia, e percebi que isso é pior do que droga e dei o fora o mais rápido que pude.
não creio que as respostas que tanto procurei, e paguei caro para consegui-las, vão mudar algo mais. porque não depende só de mim, e quando essa ficha caiu, realmente me fez ver melhor que não é somente minha culpa. culpa é uma coisa que me corroeu durante anos, e quando eu entendi que colocar a culpa somente sobre mim, quando tudo está desmoronando ao redor e muito do que acontece está além dos meus "poderes", também é algo idiota.
enquanto passo os dias esperando por algo. ao mesmo tempo esperando por nada. entre a morte da esperança e o entendimento de que muitas coisas são vãs, cheguei a conclusão de que apenas existem para que se tenha algum motivo de algo. o que é esse algo? não sei. apenas algo.
vendo a situação do mundo agora, misturadas com os problemas da minha própria subjetividade (que também possuem raízes no que está ocorrendo) me dá uma desesperança em querer me esforçar para continuar.
tentei me engajar em algo divertido, aprender crochê, enviar cartas, desenhar, entrar um grupo de blogagem coletiva, entrar em um clube de leitura. o primeiro? eu abandonei, não consigo mais ter vontade de fazer. o segundo? suspenso, por enquanto. o terceiro? em andamento, quando dá na telha. o quarto? continuo. o quinto? sai e abandonei, mais pelo fato de que parecia algo vazio onde ninguém debatia ou encorajava sobre nada do que realmente não querer estar fazendo parte daquilo ali. blogagem coletiva eu gostei, já fiz dois posts. mas... eu acho interessante o quanto eu realmente não consigo me conectar com as pessoas de forma contínua. ao menos, não mais, não depois de tudo o que ocorreu. então eu observo mais de longe — é legal.
tenho feito algumas pesquisas para sumir da internet, no entanto, um dos meus mecanismos de defesa, é justamente estar na internet (o doomscrolling do tiktok) porque não quero me sentir sozinha, eu quero sentir conectada a algo e sabendo de algo que as outras pessoas também sabem (é difícil explicar isso). mas, ficar sabendo como sair é bom. ao menos sei que tenho opção de estar na internet sem que todos os meus dados ou coisas sobre mim sejam usadas (como a META por exemplo) e que possam estar ao meu controle. algo tem que estar pelo menos.
quando falei de nostalgia, eu estava vendo os antigos blogs que via quando mais nova no internet archive, e de fato aquilo parece uma máquina do tempo. mas me bateu aquela sensação toda vez que volto para algo antigo que pertenceu ao meu passado: é onde aquele lugar deve ficar. eu consegui ver os antigos layouts, os layouts que eram quando conheci aqueles blogs pela primeira vez, e caramba, nada na internet realmente é apagado. estar dentro da oldweb é diferente de querer estar de volta aquela época. eu percebo que por mais que eu sofra nas mãos da nostalgia, eu não voltaria se fosse me dado a opção. jamais voltaria. porque nunca houve um tempo que foi realmente bom. nosso cérebro gosta muito de nos enganar e reinventar algo que não foi exatamente daquele jeito.
nesses tempos, assim em como toda minha vida, estou com medo também. muitos não admitem isso em voz alta, mas eu sim. eu admito! eu não faço ideia do que o futuro há de trazer. e isso me dá medo. meu aniversário é daqui a duas semanas, e eu não poderia me importar menos com ele. faz um tempo que meu aniversário perdeu o significado para mim. me sinto triste com isso, mas é o que aconteceu.
enfim, ouvindo ao Ramones, que começou a tocar aleatoriamente no meu app de música, eu me deparei com I Wanna Be Sedated depois de anos. nunca mais tinha ouvido essa música desde que eu tinha, sei lá, uns 13 anos. lembro que achava ela engraçada, legal de dançar pelo quarto. e agora que eu pude entender a letra enquanto ouvia, não me pareceu mais engraçada. me pareceu irônica com o que eu penso todos os dias. sempre querendo estar sedated de algo ou alguma coisa por qualquer meio. seja sonhando acordada, com remédios, com música, com vídeos, me escondendo etc.
acho que no fim é sobre isso. por enquanto.
